Estou na área de educação online há mais de dez anos e desde o início escuto dizer que Designer Instrucional é uma das profissões do futuro. Nesta semana voltei a ler essa máxima. O curioso dessa afirmação é que, ao mesmo tempo que é fácil concordar com ela, à medida que as iniciativas educacionais estão ultrapassando as fronteiras dos AVAs e das salas de aula – entrando com os dois pés em estratégias de marketing digital, por exemplo – é irônico olhar para trás e lembrar que essa profissão é relativamente antiga.
Muitos profissionais desta área se preparam para a profissão do futuro com técnicas e práticas do passado.
Claro, somente há pouquíssimo tempo foi regulamentada pelo ministério do trabalho, ganhando seu próprio CBO (como sinônimo de Designer Educacional), mas sabemos que há muitos anos os designers instrucionais já estão por aí, estruturando a mais variada gama de materiais didáticos que você possa imaginar.

Você não precisa das mais incríveis parafernálias tecnológicas para criar atividades altamente engajadoras.
Naturalmente, toda essa euforia ao redor do Design Instrucional tem atraído mais e mais profissionais o que torna nosso mercado cada vez mais rico e competitivo. No entanto, o que podemos notar é que muitos profissionais desta área, tanto os novos quanto aqueles que já estão há mais tempo, se preparam para a profissão do futuro com técnicas e práticas do passado.
Deixo aqui então cinco dicas para os Designers Instrucionais se prepararem para o futuro da profissão do futuro:
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Seja mais “Designer” do que “Instrucional”
A ideia aqui é fazer uma clara alusão à abordagem de Design Thinking, centrada no aluno e nas suas necessidades. Em outras palavras, pense em como você poderá ajudar o seu aluno a aprender, considerando suas preferências, contexto etc e não em como você ou sua empresa gostaria de ensiná-lo.
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Cuide da experiência e não dos requisitos.
Existem diversas metodologias que ajudam o designer instrucional a criar um bom modelo educacional. No entanto, na hora de traduzir o modelo em ações práticas, muitos DIs acabam se preocupando mais com os requisitos do que em construir uma experiência incrível, uma jornada para o seu aluno. Escrevi esse post há algum tempo que pode ajudar a aprofundar esse tópico (Aprendizagem em vez de educação).
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Pense na atividade antes de pensar na ferramenta.
Você não precisa das mais incríveis parafernálias tecnológicas para criar atividades altamente engajadoras. É possível criar experiências incríveis usando ferramentas muito simples, que todos têm acesso. Uma das experiências educacionais mais gratificantes e engajadoras que eu já criei usava um simples fórum como ferramenta.
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Tenha postura consultiva sempre.
Sempre aqui é sempre mesmo. Na mais abrangente concepção da palavra “sempre”. Por mais simples que seja a atividade que você esteja desempenhando, há sempre espaço para questionamentos. Um bom DI (e isso vale para todas as profissões) sabe porque está colocando cada vírgula no seu projeto.
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Pense no projeto como um todo.
Se você trabalha numa “Fábrica de Conteúdo” já entendeu que essa dica, que parece muito óbvia, muitas vezes se torna um verdadeiro desafio quando o modelo fordista bate à sua porta. O ponto é: depende de você abraçar a linha de produção e apertar os parafusos que mandaram você apertar ou se preocupar em entender o contexto, os detalhes e ser um profissional de verdade.