Como preparar as empresas para desafios que ainda não existem?

A chave é preparar os colaboradores para a fluência digital, a adaptabilidade, o aprender a aprender e para serem resilientes.

É muito comum, atualmente, nos depararmos com conteúdos que nos falam sobre como novos negócios suplantaram antigos. Como o Airbnb está mudando o mercado de hotelaria, o Uber mudando o de transporte urbano, o Facebook o de mídia, e por aí vai.

No entanto, muito pouco se discute sobre o que esses negócios, hoje ameaçados ou mesmos extintos, poderiam ter feito para evitar serem esmagados do dia para a noite. É relativamente mais fácil estudar o erro depois dele consumado, claro, e nós provavelmente conheceremos poucos casos de empresas tradicionais em seus mercados que conseguiram se reinventar antes de serem pressionados pelas emergentes digitais.

No entanto, segundo artigo da HRDIVE (que você pode ler na íntegra aqui), há quatro habilidades para as quais os colaboradores de uma organização (pequena, média ou grande) precisam ser capacitados para que possam enfrentar desafios que ainda não sabemos exatamente quais são.

Adaptabilidade

Precisamos ensinar aos futuros colaboradores a arte de se adaptar rapidamente. E esse é um grande desafio para a educação formal e para a educação corporativa, que são focadas em ajudar as pessoas a resolver problemas já conhecidos.

Programas que pretendem ajudar as pessoas a desenvolver essa habilidade precisam ajudá-las a fazer boas perguntas e não dar a elas respostas prontas. Na prática, a “adaptabilidade” tem a ver com resolver problemas, com questionar e ouvir, habilidades essas fundamentais para a construção de novos conhecimentos. O que nos leva à segunda habilidade.

Aprender a aprender

Talvez o mais correto nesse caso seja chamar essa habilidade de “desaprender”. Desaprender significa estar apto a abrir mão de crenças e verdades já consolidadas e estar aberto aos novos conhecimentos para se enfrentar novos desafios.

Assim como a primeira habilidade, não estamos tratando de nada realmente novo. Especialistas em educação corporativa, como Jeanne Meister em 1999, já traziam o Aprender a Aprender como centro das propostas de modelo de educação.

Mas a verdade é que há muitos outros paradigmas que precisam cair para isso acontecer. Foi-se o tempo em que na vida das pessoas havia a distinção entre o momento de estudar (juventude) e o de trabalhar (vida adulta). E como o processo de aprendizagem exige investimento e esforço é difícil para muitos abrir mão de conhecimentos que lhes foram tão caros. O que nos leva à terceira habilidade.

Resiliência

O Artigo da HRDIVE cita um estudo que mostra que dois em cada três funcionários relatam o trabalho como uma fonte significativa de estresse, e que nessas condições, tais colaboradores teriam muito mais dificuldade em se adaptar ou mesmo de abrir mão de uma zona de conforto para buscar aprender novas habilidades.

Resiliência, no entanto, não é exatamente uma habilidade fácil de se desenvolver (há quem diga que nem pode ser tratada como uma habilidade, mas sim uma característica). Mas a resposta para isso pode estar justamente em métodos não tão novos de aprendizagem, como a Aprendizagem Baseada em Projetos, Problemas ou Casos. Nesse artigo, eu tratei dos benefícios do método de caso na educação.

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Fluência na linguagem (digital).

Achei esse conceito particularmente interessante, pois trata a proficiência das pessoas com o mundo digital como um idioma. Obviamente, quando estamos num país estrangeiro, quanto mais conhecemos a língua local, mais e melhor conseguimos entender a cultura e se integrar ao local.

Neste caso, o “digital” é tratado como o idioma do mundo dos negócios. E não estamos nos referindo ao futuro, já é real. Os colaborados mais fluentes nesta língua certamente estarão mais confortáveis para lidar com os desafios do futuro. O artigo ainda reforça que, assim como se ensina Latim para que se entendam as raízes de outros idiomas, a fluência digital será necessária para entendermos as raízes de tudo o que faremos.

Artigo Completo da HRDIVE: https://www.hrdive.com/news/how-to-train-employees-for-jobs-that-dont-exist-yet/515598/

Conecte conteúdo e propósito para promover o engajamento em cursos online.

Desenvolver conteúdos alinhados ao propósito e missão da organização pode ser mais eficiente para o engajamento do que investir em metodologias da moda.

Há muito tempo defendo que a falta de engajamento em cursos online, percebida na grande maioria dos projetos educacionais corporativos, está frequentemente relacionada ao desalinhamento dos conteúdos com os objetivos de negócio e não com o formato ou mídia utilizado na sua construção.

conecte_conteudo_proposito

Isso significa que muitas empresas acabam investindo no desenvolvimento de projetos mais sofisticados, muitas vezes também mais caros, e nem sempre alcançam os resultados desejados. Veja, não estou defendendo que não devemos criar soluções que usem recursos incríveis como realidade virtual, aumentada, games, vídeos interativos etc. Eu mesmo na minha carreira já propus e desenvolvi conteúdos nesse formato, mas sempre de olho na contribuição que eles dariam à experiência educacional.

O alinhamento dos treinamentos com os objetivos de negócio da empresa é um dos fatores que dá relevância à ação e é por meio dela que se atinge o engajamento. No entanto, lendo recentemente uma entrevista da Christa Manning, VP da Bersin, me chamou a atenção o destaque que ela deu sobre outra forma de dar relevância a uma iniciativa educacional: conectar o conteúdo ao propósito e missão das organizações.

É claro que isso só funciona se a empresa tiver um propósito forte e muito bem comunicado aos seus colaboradores, o que provavelmente já faria com que esse time tivesse um engajamento com a empresa acima da média.

Também é possível dizer que conectar o propósito e missão da organização aos conteúdos é outra forma de alinhá-los aos seus resultados de negócio, afinal, tais resultados são a forma como o propósito se concretiza.

Mas, sem dúvida, esse alinhamento é uma forma de impulsionar o engajamento em cursos online tanto por permitir que o aluno desenvolva as habilidades necessárias para alcançar o propósito da empresa, quanto para vencer as barreiras para a adesão, utilizando o propósito na comunicação dos treinamentos.

O futuro incerto dos LMSs

A experiência educacional, o protagonismo e a integração do trabalho com a aprendizagem vêm substituindo a necessidade por controles. Estão os LMSs preparados?

Numa era de profundas transformações promovidas pelo avanço de novas tecnologias, o mercado de plataformas educacionais também vê muitos desafios surgindo no horizonte. E como não poderia deixar de ser, as tradicionais plataformas LMS, que num passado próximo foram o grande desafiante das metodologias tradicionais, agora também se veem pressionadas a entregar conhecidas promessas como promover a experiência, o protagonismo e a fluidez entre trabalho e aprendizagem.

Como em muitos outros mercados, startups de todo o mundo surgem com soluções mais flexíveis, capazes de conectar o aluno com conteúdos e redes, oferecer e até prever suas necessidades.

Por outro lado, os LMSs dependem de diversos processos burocráticos de validação e publicação de conteúdo e, a maioria, ainda está presa a protocolos de comunicação muito antiquados, como o famoso padrão scorm. Enquanto os profissionais de educação corporativa percorrem todos os processos necessários para produção e publicação de conteúdos que sejam compatíveis com suas plataformas, seus alunos já teriam buscado, acessado e consumido os conteúdos que precisam em outras fontes.

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Faço aqui uma analogia: os LMSs caminham para se tornar a “Blockbuster” do mercado de educação. E essa comparação pode ser entendida em três aspectos:

1) como grande rede, a Blockbuster praticamente aniquilou as locadoras de bairro;

2) os clientes da Blockbuster tinham acesso apenas a uma oferta homogênea de títulos escolhidos de acordo com a popularidade, com pouquíssimo espaço para títulos alternativos; e

3) a Blockbuster, por sua vez, foi aniquilada por competidores que entenderam melhor os desejos e necessidades de seus clientes, como Netflix e Youtube.

Da mesma forma, os LMSs revolucionaram o mercado de educação quando surgiram e oferecem apenas títulos selecionados por um pequeno grupo para os diversos públicos dentro da organização. O próximo capítulo ainda está para ser escrito, mas muita coisa precisa mudar para que essa história tenha um final diferente do da Blockbuster.

O fato é que, com as atuais opções no mercado, se você vai iniciar hoje um projeto de educação corporativa, faz muito pouco sentido adotar um LMS tradicional.

 Controle x Experiência.

A justificativa mais comum para a adoção de um LMS é a necessidade de controle. Ou seja, a necessidade de o gestor de educação corporativa reportar à organização informações que dizem pouco, ou quase nada, sobre o quanto os colaboradores estão se desenvolvendo.

É uma ilusão acreditar que os números relacionados à participação, conclusão ou aprovação podem realmente dizer a uma organização que seus colaboradores estão de fato se desenvolvendo, ou seja, habilitando-se para novos níveis de desempenho ou se preparando para os desafios futuros.

Sendo esse controle uma ilusão, por que então insistir em um ambiente de educação que limita tanto as experiências educacionais? Os gestores que abrem mão desse controle abrem as portas para novas possibilidades para iniciativas que favorecem o acesso, o engajamento, a customização, a conexão e a colaboração que impulsionam os alunos em suas experiências e interações digitais.

Controle x Protagonismo.

Os LMSs tradicionais também jogam contra outro discurso presente em muitos projetos de educação corporativa: o Protagonismo do aluno. A questão do protagonismo está vinculada aos princípios fundamentais da andragogia e deve realmente ser estimulada.

Mas como falar de protagonismo quando as únicas iniciativas reconhecidas e validadas pela organização são aquelas previstas, publicadas e cobradas no LMS da empresa? Ou seja, aquela seleção de cursos ou atividades que alguém escolheu para os diversos grupos de funcionários? Isso porque o rígido controle oferecido pelos LMSs não permite reconhecer atividades realizadas em outros ambientes.

Assim, num LMS, o protagonismo se restringe a fazer ou deixar de fazer um curso ou trilha. No máximo, no ápice do protagonismo, um aluno poderia acessar um enorme catálogo de cursos, normalmente mais antigos.

É necessário reconhecer, no entanto, que, a despeito das limitações de uma plataforma, o cerceamento do protagonismo tem muita relação também com as práticas de educação corporativa.

Controle x Integração Trabalho e Aprendizagem.

Aqui está um verdadeiro desafio para as plataformas de aprendizagem, tanto para os tradicionais LMSs, quanto para as plataformas emergentes: esmaecer as fronteiras entre aprendizagem e trabalho.

Nos modelos atuais de controle propostos pelos LMSs, vinculados aos primeiros conceitos de treinamento e desenvolvimento, quando se achava uma boa ideia apartar os momentos e os ambientes de trabalho e aprendizagem, esses sistemas acabam se apresentando como ilhas no ecossistema empresarial. E por “ilha” quero dizer: uma porção de conteúdo cercada por barreiras de usabilidade por todos os lados.

Por todo o histórico e preconceitos já atribuídos a esses sistemas de aprendizagem, acredito que será mais fácil sistemas que apoiam atividades relacionadas ao trabalho ou à comunicação entre equipes oferecer oportunidades de desenvolvimento do que um LMS se integrar à rotina de trabalho.

Assim, acredito muito na possibilidade de um Slack, Workplace, Yammer, Trello etc incorporarem atividades e registros educacionais, no melhor estilo 70/20/10. Isso já pode acontecer hoje e, na verdade, já vem acontecendo (sem mais spoilers por hoje), mas exige que os gestores de educação corporativa abandonem antigos paradigmas e a necessidade de controles que dizem pouco sobre o desenvolvimento dos colaboradores e pensem na atividade educacional, na experiência, antes de pensar na ferramenta.

Mais sobre aprendizagem e tecnologia:

Nesta entrevista, Christa Manning (vice president of solution provider research for Bersin by Deloitte) fala sobre a evolução pela qual devem passar as plataformas voltadas à educação.

Neste post, eu falo mais sobre o desafio de colocar aprendizados em prática.

Como mensurar o engajamento em cursos online

Um olhar mais completo para o engajamento em cursos online pode revelar insights importantes para melhorias nas iniciativas educacionais.

O indicador Engajamento muitas vezes é mensurado simplesmente por meio da comparação entre a quantidade de alunos que iniciou um curso e com a quantidade de alunos que finalizou esse treinamento. Está errado? Não, conceitualmente é isso mesmo. Mas podemos ter um olhar mais completo e pensar no engajamento como “o quanto o aluno se envolveu com determinada iniciativa educacional”. E isso nos exige uma visão mais completa do que simplesmente quantos alunos chegaram, ou não, à linha de chegada.

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Os quatro níveis para avaliação de engajamento em cursos online

Para avaliar o engajamento em cursos online, pense então em quatro níveis:

  • Conclusão – que é exatamente essa descrição que eu dei inicialmente. Quantos alunos, dos que iniciaram, terminaram o curso.
  • Profundidade – que avalia o quanto o aluno se interessou em se aprofundar naquele conhecimento.
  • Repetição – que avalia o quanto o aluno voltou a determinado tema para rever um conteúdo.
  • Desempenho – que avalia qual foi o desempenho do aluno nas avaliações e exercícios do próprio curso.

Cada um dos níveis permite aprofundar o que sabemos sobre o quanto o aluno está de fato se envolvendo. Mas para termos bons insights sobre como nossas iniciativas podem vir a favorecer o engajamento, precisamos entender um pouco mais cada um dos níveis:

Conclusão.

Quando avaliamos o nível Conclusão temos três fatores. O primeiro é a perda da motivação. Motivação é palavra-chave quando a gente avalia engajamento e, sem dúvida é um dos grandes desafios a serem vencidos na educação a distância. A motivação é uma chama que precisa sempre ser abastecida. Isso vale para as motivações internas, como o desejo de vencer um desafio de alcançar novos padrões de desempenho, e para as externas, normalmente recompensas possíveis a partir da realização e aprovação num curso. Por isso, comunique sempre que possível a relevância do curso para a organização e para o indivíduo.

O sentimento de isolamento e a frustração da expectativa que o aluno tinha em relação ao curso são os fatores mais comuns para a perda de motivação dos alunos.

O segundo fator é o que eu chamo de “Barreiras Instrucionais”. Essas barreiras tornam-se concretas quando há falhas no processo de desenho instrucional de um curso. Ou seja, quando o conteúdo é mal trabalhado, ou ruim, e o curso se torna incompreensível, com linguagem inadequada para o público.

Neste post, eu falo mais sobre “O desafio de colocar aprendizados em prática

Outras barreiras instrucionais comuns são erros no ajuste do nível de dificuldade inicial do curso, ou seja, um curso demasiadamente básico ou avançado para o público, e ainda, falhas em usabilidade.

E por fim, como terceiro fator está o “Adequação da Solução Educacional”. Esse é o ponto mais abordado pelo mercado de educação corporativa para tratar do tema do engajamento em cursos online. Novas metodologias, e outras não tão novas, são cotidianamente alardeadas pela indústria da educação a distância como “a solução” para a falta de engajamento.

A dica aqui é: não se deixe levar pelas novidades apenas porque são novidades. Ao avaliar estratégias mais sofisticadas entenda também quais são os ônus dessas estratégias e certifique-se de que elas serão realmente utilizadas para facilitar e fortalecer o aprendizado. Muitas dessas metodologias acabam se tornando um pedágio, ou prologando de forma desnecessária o caminho da aprendizagem.

Profundidade.

O primeiro passo para que você possa avaliar o fator Profundidade é que você tenha planejado o curso com uma estratificação do conteúdo, considerando a hierarquia entre conteúdos fundamentais, complementares e de apoio, por exemplo. Se o curso é simplesmente linear, será difícil avaliar alguma coisa em relação à profundidade.

A profundidade também pode ser avaliada pelo maior ou menor detalhamento do conteúdo procurado pelo aluno, ou ainda pelo grau de complexidade no qual aluno se dispôs a mergulhar voluntariamente.

Para estimular que o aluno se aprofunde nas diversas camadas de conteúdo uma dica é sempre comunicar o que ele vai encontrar no nível mais profundo e como essa nova camada vai trazer benefícios para ele.

Repetição.

Quando avaliamos a repetição é importante diferenciarmos os motivos que levam alguém a voltar repetidamente a um conteúdo. Basicamente, são três os motivos:

1) dificuldade em entender o conteúdo;

2) o conteúdo está sendo utilizado como conteúdo de apoio ao desempenho; e

3) a repetição se dá pela necessidade de o aluno revisitar o conceito.

O primeiro caso estará indicando claramente um problema no curso. Os outros dois casos são positivos. Significam que o conteúdo faz tanto sentido ou se conecta tanto com o dia a dia do aluno que ele volta sempre que vai executar uma determinada tarefa (conteúdo de apoio ao desempenho), ou quando ele pretende dar novos passos naquela área do conhecimento (revisitar conceitos).

A dica aqui é: planeje o seu curso ou conteúdo para que ele seja útil para o seu aluno. Se o conteúdo tem a possibilidade de ajudar na execução de uma tarefa ou procedimento, como um check-list ou um passo a passo, tente criar versõespara viagem”, ou seja, para o seu aluno baixar e ter com ele na hora certa, com o mínimo esforço.

Desempenho.

E, enfim, chegamos ao quarto nível: Desempenho. Como o aluno se saiu nos exercícios propostos ao longo do curso e como ele se saiu na avaliação de conhecimento do curso? Como os alunos avaliaram o curso?

Há muitos críticos que não entendem que a avaliação de conhecimento possa dar indícios sobre o engajamento do aluno. Como já deu para notar, eu discordo. O ponto é que construir avaliações é uma verdadeira ciência à parte, muitas vezes ignorada no processo de desenho de um curso. Então se na avaliação de um curso você tem perguntas com respostas óbvias, que repetem exatamente os textos e exemplos do curso, ou servem meramente para avaliar se o aluno é bom em “decorar”, com certeza ela não será útil em nenhum processo de avaliação. Muito menos na avaliação do engajamento em cursos online. Mas eu acredito que uma avaliação bem construída possa nos dar indícios de que nível de envolvimento o aluno teve com o conteúdo ao longo do curso.

Avalie sempre

Como é possível perceber, o segredo para um bom nível de engajamento em cursos online está na concepção e planejamento do curso. Mesmo para fazer uma boa avaliação é necessário que os recursos do curso, a plataforma etc, tenham sido pensados e aplicados de maneira a dar indícios sobre os pontos que se deseja avaliar.

Lembre-se de que, se motivação é palavra-chave para o engajamento, garantir que o curso tenha relevância e que essa relevância seja bem comunicada ao público-alvo é fundamental.

Nesse outro post, eu falo sobre a necessidade de comunicar bem a relevância e agir proativamente para se atingir um bom engajamento em cursos online.

 

9% é o índice de engajamento natural em cursos online

Estudo da ATD mostra que, sem nenhuma ação de apoio, a simples disponibilização de um curso online terá um engajamento natural muito baixo.

é o índice natural de engajamento em cursos online (1)

No início deste mês comecei a preparar a retrospectiva 2017, um levantamento que eu faço para avaliar quais foram os problemas nos quais atuei neste ano em projetos de educação corporativa. Como você provavelmente deve imaginar, a falta de engajamento está entre os mais frequentes (não é o mais frequente, mas isso você só vai descobrir no post sobre a Retrospectiva 2017 – em breve).

Revisando os materiais de algumas palestras que fiz recentemente, reencontrei os dados de um estudo da ATD que mostra que a simples disponibilização de um curso on-line numa plataforma, sem o devido preparo e sem nenhuma ação de apoio, vai proporcionar um engajamento baixíssimo, 9%, no caso.

Curioso para saber como o estudo chegou nesses 9%? Veja abaixo:

– 30% do público elegível não faz o primeiro login.

– 20% dos que entram, têm dificuldades técnicas (sem fones de ouvido, computador travando etc).

– 10% são interrompidos por tarefas em suas mesas e nunca mais voltam.

– 20% encontram algum obstáculo no material e não obtém ajuda ou resposta no tempo esperado.

– 20% abandonam o curso porque o conteúdo é irrelevante ou redundante.

– 20% abandonam porque não consideram treinamento prioridade em relação ao “trabalho de verdade”.

– 30% do que pode ser aprendido é desperdiçado porque as pessoas não aprenderam a aprender.

– 50% não percebe aplicação prática e abandona, ou acaba esquecendo o conteúdo aprendido.

Resultado: 70% x 80% x 90% x 80% x 80% x 80% x 70% x 50% = 9%

Apesar de relativamente antigo (o estudo foi publicado em 2001), seus dados e argumentos permanecem muito atuais e nos dizem o que muitos projetos de educação corporativa aprendem na prática ainda em 2017: colocar um curso no ar é apenas parte do trabalho. E eu completo: é a parte mais fácil.

Colocar um curso no ar é apenas parte do trabalho. É a parte mais fácil.

É interessante observar que não há um item no estudo que relacione a falta de interatividade, ou de novidades tecnológicas, como obstáculo para o engajamento. No entanto, não é incomum ver no mercado de educação corporativa ofertas que relacionam a gameficação, realidade virtual, animações etc com ganhos diretos em engajamento.

Os itens apontados pelo estudo também mostram que a preocupação com o engajamento precisa começar antes do desenvolvimento do curso. Bem antes, no seu planejamento. É necessário certificar-se de que o assunto tratado está realmente ligado aos objetivos da organização e, por consequência, aos objetivos pessoais do público-alvo. Ou seja, é fundamental certificar-se de que aquele treinamento realmente será relevante, tanto para a organização, quanto para o público elegível.

Como escrever um bom Estudo de Caso

A expressão “Estudo de Caso” caiu no gosto dos designers instrucionais, professores, tutores etc, mas é corriqueiramente utilizado para definir qualquer estrutura narrativa que simplesmente conte uma história. Seja um exemplo ou a descrição de uma situação e normalmente é seguida por questionamentos como forma de exercício.

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O objetivo de um caso é fazer o aluno pensar, criar suas hipóteses, discutir e defender suas próprias ideias.

Nada contra. Eu acredito inclusive que a criatividade do designer instrucional nunca deva ficar limitada a definições conceituais. Mas o fato é que o método de caso traz benefícios muitos poderosos para o processo de educação de adultos e, se a ideia é aproveitar esses benefícios, existem algumas características importantes que precisam ser observadas.

São essas características, na verdade, que definem um Estudo de Caso legítimo e o diferencia de exemplos, histórias e “cases”. Antes de continuar, queria registrar que eu acredito que os exemplos e histórias não são uma forma de entrega ruim. Ambos são recursos importantes no processo didático, mas não substituem um Estudo de Caso, quando este é proposto como solução.

As Características de um Estudo de Caso.

Segundo o “Manual de Estudo de Caso”, do professor da Harvard Business School, Willian Ellet (leitura obrigatória para quem quer trabalhar com o método de casos), para cumprir sua função, um estudo de caso deve apresentar três características fundamentais:

  • Uma ou mais questões significativas.

Por “Questões significativas” entenda que um estudo de caso deve tratar de algo importante: um diagnóstico, um problema ou uma decisão não trivial. Um caso desprovido dessa questão significativa não tem valor educacional.

  • Informações suficientes para basear conclusões.

Um caso não pode ser simplesmente uma charada. Ele deve sempre trazer uma base factual apropriada. “Apropriada” é a palavra-chave aqui. O caso deve trazer informações suficientes, mas sempre respeitando a terceira característica:

  • Ausência de conclusões manifestas.

O objetivo de um caso é fazer o aluno pensar, criar suas hipóteses, discutir e defender suas próprias ideias. Nesse caso, se há uma verdade prevalecente no texto, o valor educacional fica comprometido.

No próximo post, vou abordar alguns mitos e verdades sobre a redação de bons estudos de caso, segundo o método de caso.

Por que o designer instrucional precisa conhecer o estudo de caso

estudo de caso postNesse post quero iniciar uma sequência de artigos para falar das estratégias educacionais baseadas em casos, ou no método de caso. E preciso começar com uma confissão: estratégias que envolvem casos são as minhas favoritas. Um bom caso (e prometo discutir o que é um bom caso nos próximos posts) é simplesmente muito estimulante e, se você já se deparou com o desafio de criar uma trilha de aprendizagem, talvez já tenha percebido como um caso pode ser um fortíssimo aliado para sustentar as diversas intervenções de aprendizagem necessárias a um programa longo ou mesmo àqueles mais curtos.

“A metodologia de estudo de caso permite que se faça links diretos com os seis princípios fundamentais da andragogia.”

Essencialmente, a metodologia de estudo de caso permite que se faça links diretos com os seis princípios fundamentais da andragogia. E, se você fez um bom trabalho de mapeamento do seu público alvo (se não fez, nem precisa continuar), esses links serão fundamentais para que sua estratégia educacional atinja os objetivos traçados. Fiz um resumo abaixo dos benefícios que podemos alcançar utilizando o método de caso:

  • O aluno precisa utilizar sua bagagem pessoal.

Num caso bem construído, ou seja, que traz uma questão empresarial* significativa, e que é dirigido a um público bem estudado, o aluno entenderá que a sua experiência pessoal ou profissional será ponto fundamental para resolução do caso. Esse é um fator que eleva muito o engajamento, pois o aluno percebe que a iniciativa educacional valoriza seus conhecimentos no momento de propor um novo ciclo de aprendizagem.

  • O caso desafia o aluno.

Aqui eu volto a falar da questão empresarial significativa. Um caso bem estruturado precisa tratar de questões desafiadoras, inteligentes e, claro, possíveis. Um bom desafio, na medida certa, aumentará a sensação de conquista do aluno e o vai estimular a encarar novos ciclos de aprendizagem.

  • O caso aproxima a aprendizagem do mundo real e dos “problemas de verdade”.

Há quem goste de estratégias baseadas na exposição de teorias, mas, sem dúvida, o aluno adulto estará mais propenso a embarcar numa iniciativa educacional quando esta ajudá-lo a resolver os problemas do dia a dia.

  • O caso promove a construção do conhecimento.

Ou seja, o aluno aprende conforme trabalha para dar as respostas necessárias ao caso. Esse é o ponto fundamental que faz dos casos o motor das principais metodologias ativas, utilizadas há muito tempo em salas de aula e que mais recentemente têm migrado com tanto sucesso para o meio digital.

  • O caso permite aprender por meio da diversidade.

Esse quinto ponto é na verdade um desdobramento dos anteriores. As melhores estratégias que utilizam o método de caso preveem a colaboração entre os alunos, o que traz mais bagagens, mais visões distintas da mesma realidade e mais formas de construção de conhecimento para a mesma experiência educacional.

Nos próximos posts vou explorar os seguintes temas:

– Os tipos de caso do método de caso e como as variantes podem ser utilizadas com finalidades educacionais diferentes.

– As características que definem um caso, ou seja, o que diferencia um caso legítimo de um exemplo ou de uma história.

Ainda não defini a ordem. Me ajude a escolher nos comentários abaixo.

Até o próximo post.

(*) Questão empresarial significativa é um termo utilizado por William Ellet no livro “Manual do Estudo de Caso” – baseado na metodologia da Harvard Business School. Por questão empresarial significativa entenda uma questão relevante para o contexto educacional apresentado. Se trata-se de um caso médico, a questão deve ser significativa para esse público ou contexto, e assim por diante.

Designer Instrucional: qual o futuro da profissão do futuro?

Estou na área de educação online há mais de dez anos e desde o início escuto dizer que Designer Instrucional é uma das profissões do futuro. Nesta semana voltei a ler essa máxima. O curioso dessa afirmação é que, ao mesmo tempo que é fácil concordar com ela, à medida que as iniciativas educacionais estão ultrapassando as fronteiras dos AVAs e das salas de aula –  entrando com os dois pés em estratégias de marketing digital, por exemplo – é irônico olhar para trás e lembrar que essa profissão é relativamente antiga.

Muitos profissionais desta área se preparam para a profissão do futuro com técnicas e práticas do passado.

Claro, somente há pouquíssimo tempo foi regulamentada pelo ministério do trabalho, ganhando seu próprio CBO (como sinônimo de Designer Educacional), mas sabemos que há muitos anos os designers instrucionais já estão por aí, estruturando a mais variada gama de materiais didáticos que você possa imaginar.

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Você não precisa das mais incríveis parafernálias tecnológicas para criar atividades altamente engajadoras.

Naturalmente, toda essa euforia ao redor do Design Instrucional tem atraído mais e mais profissionais o que torna nosso mercado cada vez mais rico e competitivo. No entanto, o que podemos notar é que muitos profissionais desta área, tanto os novos quanto aqueles que já estão há mais tempo, se preparam para a profissão do futuro com técnicas e práticas do passado.

Deixo aqui então cinco dicas para os Designers Instrucionais se prepararem para o futuro da profissão do futuro:

  • Seja mais “Designer” do que “Instrucional”

A ideia aqui é fazer uma clara alusão à abordagem de Design Thinking, centrada no aluno e nas suas necessidades. Em outras palavras, pense em como você poderá ajudar o seu aluno a aprender, considerando suas preferências, contexto etc e não em como você ou sua empresa gostaria de ensiná-lo.

  • Cuide da experiência e não dos requisitos.

Existem diversas metodologias que ajudam o designer instrucional a criar um bom modelo educacional. No entanto, na hora de traduzir o modelo em ações práticas, muitos DIs acabam se preocupando mais com os requisitos do que em construir uma experiência incrível, uma jornada para o seu aluno. Escrevi esse post há algum tempo que pode ajudar a aprofundar esse tópico (Aprendizagem em vez de educação).

  • Pense na atividade antes de pensar na ferramenta.

Você não precisa das mais incríveis parafernálias tecnológicas para criar atividades altamente engajadoras. É possível criar experiências incríveis usando ferramentas muito simples, que todos têm acesso. Uma das experiências educacionais mais gratificantes e engajadoras que eu já criei usava um simples fórum como ferramenta.

  • Tenha postura consultiva sempre.

Sempre aqui é sempre mesmo. Na mais abrangente concepção da palavra “sempre”. Por mais simples que seja a atividade que você esteja desempenhando, há sempre espaço para questionamentos. Um bom DI (e isso vale para todas as profissões) sabe porque está colocando cada vírgula no seu projeto.

  • Pense no projeto como um todo.

Se você trabalha numa “Fábrica de Conteúdo” já entendeu que essa dica, que parece muito óbvia, muitas vezes se torna um verdadeiro desafio quando o modelo fordista bate à sua porta. O ponto é: depende de você abraçar a linha de produção e apertar os parafusos que mandaram você apertar ou se preocupar em entender o contexto, os detalhes e ser um profissional de verdade.

Webinars: dicas práticas para quem vai começar

Os webinars estão cada vez mais populares, seja como instrumentos para entrega de conteúdos em estratégias de marketing digital, ou como parte de uma estratégia maior de um programa de educação online.

Recentemente, vivenciei esses dois formatos provendo ou ministrando aulas em cerca de vinte sessões e a minha conclusão é de que, quando bem utilizados, os webinar são poderosíssimas ferramentas de aprendizagem, ou de apoio à aprendizagem.

Nesse post, compartilho algumas dicas práticas que consolidei e testei nessas últimas semanas.

Dicas práticas para melhorar seus webinars:

Com base na experiência recente, criei essa pequena lista de boas práticas que podem ser adotadas por quem vai experimentar pela primeira vez, ou por quem já utiliza os webinars em suas soluções:

Não economize na comunicação. As pessoas têm agendas cada dia mais complicadas. Por isso, é importante que você envie o “Save the Date” com bastante antecedência, três semanas por exemplo. Na sequência, reforce a comunicação uma semana antes da aula, um dia antes e uma hora antes. Nesses dois e-mails mais próximos da aula envie novamente o link de acesso e os objetivos da aula.

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Exemplo de tela de espera que usei num webinar.

Inicie a transmissão antes do horário. A transmissão, não a aula. A dica aqui é criar uma tela de espera, com algumas informações básicas, como título e objetivo da aula, nome do professor, o horário em que a aula efetivamente vai começar. Isso é importante porque muitos alunos têm dificuldade em acessar as plataformas de webinar e, assim que entram, ficam tranquilos ao perceber pela tela de espera que a conexão está ok.

 

Programe-se para ajudar os alunos nos primeiros minutos. Por mais intuitiva que seja a sua plataforma, muitos alunos precisarão de ajuda técnica para alguns detalhes como habilitar microfone, visualizar determinados recursos ou até mesmo entender o modelo de interação que você planejou. Antecipe-se e tenha as principais respostas prontas.

Receba bem os seus alunos. Estamos falando de acolhida mesmo. Imagine que você está numa sala de aula presencial e que seus alunos vão entrando na sala. Você não vai dizer “bom dia”? E se a ferramenta que você escolheu permite a interação dos alunos, não as ignore. Isso seria como um balde de água fria.

Planeje a aula com momentos de interação. Na prática, o que vai diferenciar um webinar de um vídeo gravado que tem hora certa para passar é o quanto os seus alunos conseguirão participar, interagir, perguntar e responder. Crie provocações, pergunte a eles o que eles acham sobre determinado tema antes de você dizer a sua opinião. Você vai perceber como isso enriquece muito a aula.

Talvez você precise de ajuda.

Se você vai iniciar no mundo dos webinar como professor ou provedor de conteúdo, é muito provável que venha a precisar de alguma ajuda durante as primeiras sessões. Eu precisei. Foram dois pontos principais:

bastidores

Bastidores de um webinar: professor + professor assistente. facilitação e apoio à aprendizagem

Operar a ferramenta que gera o webinar. Desde configurar corretamente, a utilizar os diversos recursos. Esse ponto você pode treinar sozinho. Recomendo que você se mantenha no campo da simplicidade no início e, conforme for adquirindo mais desenvoltura, adicione ações mais sofisticadas à aula.

Facilitar as interações dos alunos “e” dar aula ao mesmo tempo. Infelizmente não é possível simular como os alunos vão interagir. A experiência deverá ser adquirida ao longo das aulas de verdade. A minha dica aqui é: (se possível) tenha alguém logado na aula te ajudando como se fosse um professor assistente. Apresente esse professor assistente para os alunos e com certeza sua aula vai fluir melhor.

 

Marinheiro de primeira viagem? Não se afogue.

Acredito que as três maiores dificuldades que você terá realizando um webinar serão essas:

– Gerenciar a ferramenta ao longo da aula, apresentando slides, vídeos, a sua câmera etc nos tempos certos, sincronizados com o seu plano de aula. Dica: comece simples.

– Aprender a lidar com o delay. Sim, na maioria das ferramentas o seu aluno não estará ouvindo/vendo você em tempo real. Haverá sempre alguns segundos de atraso e esse atraso é diferente para cada um dos seus alunos presentes à sessão. É importante lembrar disso na hora de planejar as interações. Se seus alunos estão demorando a interagir, provavelmente esse é o problema. Dica: evite deixar períodos de silêncio. Por exemplo: quando fizer uma pergunta, prossiga dizendo aos alunos o quanto aquela pergunta é importante para o contexto da aula, até começarem a aparecer as primeiras respostas.

– Falar para a câmera. É mais fácil do que gravar videoaulas, com certeza. Mas dar uma aula mais longa sem ter aquele feedback imediato dos alunos (ou seja, suas expressões faciais) às vezes pode te levar a questionar se a aula está num caminho bom. Dica: provoque feedbacks constantes durante a aula ou tente ler isso nos momentos de interação.

A sala de aula invertida sem a sala.

Sem dúvida, a situação mais rica do ponto de vista educacional é quando utilizamos o webinar como parte de um programa de treinamento ou educação digital, combinado com outras estratégias. Você pode simplesmente escolher um momento e parte de um conteúdo para expor ao longo de uma trilha, pode criar sessões “tira-dúvidas”, enriquecer sua solução blended ou até mesmo utilizar a estratégia da sala de aula invertida, mesmo num programa 100% digital. Ou seja, seus alunos podem ter contato com os conceitos nas atividades assíncronas (vídeos, htmls, games etc) e praticar esses conceitos numa sala de aula virtual, com apoio dos colegas e do professor. Essa foi a estratégia que usei nas iniciativas que vivenciei nas últimas semanas e os resultados não poderiam ter sido melhores.

Entre os benefícios que percebi nesses webinars, destaco os seguintes:

Favorece a aproximação entre alunos e professor. O conteúdo deixa de ser visto como algo estanque e a relação volta a ganhar contornos mais humanizados, fortalecendo os elos emocionais da aprendizagem.

Cria-se um claro momento de apoio ao processo de aprendizagem. Momento em que os alunos podem esclarecer pontos dos conceitos apresentados por outras mídias do programa oferecido, com bastante liberdade para perguntar e estressar qualquer ponto.

Cria-se um momento em que alunos e professor podem trocar experiências, aprender com situações já vividas tanto pelo professor quanto pelos alunos. Torna possível ainda que o aluno tenha a oportunidade de entender como determinado conceito pode ser aplicado numa situação específica do seu dia a dia.

Cria-se um compromisso, uma agenda. Principalmente no modelo de tira-dúvidas ou de sala de aula invertida, a realização de atividades prévias favorece que o aluno passe a ter compromissos com o curso além do deadline de conclusão. Fator importante para favorecer o engajamento e o progresso do aprendizado numa velocidade que respeite o ritmo dos alunos, mas que impeça a procrastinação exagerada.

Em outras palavras, usar o webinar como parte de uma estratégia educacional maior aproxima sua iniciativa educacional dos princípios da andragogia, o que vai destacar os fatores de relevância do seu curso, melhorar a experiência do aluno e favorecer a conexão entre os alunos, entre alunos e professor e entre os alunos e as diversas aplicações dos conceitos estudados.

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O que é um webinar?
Há diversos formatos de aulas online que podem ser chamadas de webinar. No entanto, o mais comum é que o webinar se caracterize por ser uma aula ao vivo, transmitida via ferramentas específicas para captura e streaming, utilizando uma webcam, pela qual o professor dá a aula interagindo com os alunos e utilizando capturas de telas, apresentações de PowerPoint ou outros recursos digitais, pela internet (algumas empresas transmitem via satélite).
Não vou me prolongar na definição por dois motivos: 1) Há diversas outras formas de realizar um webinar, com mais ou menos recursos; e 2) O que importa aqui é o efeito, o impacto, que essa estratégia causa nas iniciativas educacionais e não sua definição teórica/técnica.
Na prática, estamos falando de um meio termo entre a educação em sala de aula (presencial e síncrona) e o que o mercado se acostumou a chamar de e-learning (a distância, online e assíncrono).

Quatro dicas de comunicação para educação digital nas empresas.

Tem sido cada vez mais comum encontrar artigos, vídeos, posts etc que falam sobre os padrões de comunicação entre plataforma e cursos online. Se você já trabalha com educação corporativa online, certamente está familiarizado com termos como Scorm, TinCan, AICC etc.

De fato, esses padrões são importantes para que um curso, ou qualquer outro tipo de mídia que você esteja usando no seu projeto funcionem corretamente e guardem aqueles parâmetros que foram escolhidos para garantir a interatividade e, futuramente, as métricas do projeto.

No entanto, o que se percebe é que muitas vezes essa ponte entre plataforma e curso é planejada exclusivamente no nível de tecnologia. E mesmo em projetos muito bem planejados para um determinado público alvo, detalhes simples acabam não sendo executados pela equipe de planejamento instrucional, o que prejudica a preparação do aluno para o aprendizado e, em seguida, o seu envolvimento com o curso e o seu engajamento.

Estou falando de detalhes pequenos mesmo, como se preocupar em escrever uma ementa (ainda na plataforma) que será bem compreendida pelo aluno, criar tanto na plataforma quanto na entrada do curso links que ajudem o aluno a compreender o que ele deve fazer, o quanto ele deve se dedicar e o que vai mudar na vida dele depois do curso.

Aqui vão algumas dicas bem simples (mas nem sempre lembradas):

  • Use a comunicação para confortar o aluno. Por exemplo: se você identificou na análise do público alvo que um problema para esse aluno é tempo, diga, antes de mais nada, quanto tempo ele vai precisar para passar por cada módulo.
  • Use a comunicação para otimizar o esforço do aluno. Por exemplo: se você estratificou o conteúdo por relevância, mostre para o aluno como ele pode identificar o caminho mais curto para o objetivo dele dentro do curso.
  • Use a comunicação para preparar o aluno para a aprendizagem. Por exemplo: escreva uma ementa de verdade, não apenas técnica para preencher os campos da plataforma. Fará diferença para o aluno entrar num curso sabendo exatamente o que se espera dele e o que ele pode esperar como resultado.
  • Use a comunicação para entender o que está acontecendo no seu projeto. Por exemplo: crie uma avaliação de reação específica para o seu curso, com perguntas que vão trazer inputs importantes para o desenvolvimento dos projetos de educação e, mais importante, leia a avaliação. Evite avaliações de reação padronizadas.

Mesmo parecendo simples e óbvios, é muito importante não tirar esses detalhes do radar, pois a tendência de muitos projetos é evoluir rapidamente no campo da tecnologia e se afastar cada vez mais do ser humano que é o aluno. Perder essa proximidade é como entrar numa sala de aula e ninguém lhe dar um simples “bom dia” e nem sequer se apresentar. Certamente você teria mais dificuldade e menos vontade de se engajar nesse contexto.