A expressão “Estudo de Caso” caiu no gosto dos designers instrucionais, professores, tutores etc, mas é corriqueiramente utilizado para definir qualquer estrutura narrativa que simplesmente conte uma história. Seja um exemplo ou a descrição de uma situação e normalmente é seguida por questionamentos como forma de exercício.

O objetivo de um caso é fazer o aluno pensar, criar suas hipóteses, discutir e defender suas próprias ideias.
Nada contra. Eu acredito inclusive que a criatividade do designer instrucional nunca deva ficar limitada a definições conceituais. Mas o fato é que o método de caso traz benefícios muitos poderosos para o processo de educação de adultos e, se a ideia é aproveitar esses benefícios, existem algumas características importantes que precisam ser observadas.
São essas características, na verdade, que definem um Estudo de Caso legítimo e o diferencia de exemplos, histórias e “cases”. Antes de continuar, queria registrar que eu acredito que os exemplos e histórias não são uma forma de entrega ruim. Ambos são recursos importantes no processo didático, mas não substituem um Estudo de Caso, quando este é proposto como solução.
As Características de um Estudo de Caso.
Segundo o “Manual de Estudo de Caso”, do professor da Harvard Business School, Willian Ellet (leitura obrigatória para quem quer trabalhar com o método de casos), para cumprir sua função, um estudo de caso deve apresentar três características fundamentais:
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Uma ou mais questões significativas.
Por “Questões significativas” entenda que um estudo de caso deve tratar de algo importante: um diagnóstico, um problema ou uma decisão não trivial. Um caso desprovido dessa questão significativa não tem valor educacional.
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Informações suficientes para basear conclusões.
Um caso não pode ser simplesmente uma charada. Ele deve sempre trazer uma base factual apropriada. “Apropriada” é a palavra-chave aqui. O caso deve trazer informações suficientes, mas sempre respeitando a terceira característica:
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Ausência de conclusões manifestas.
O objetivo de um caso é fazer o aluno pensar, criar suas hipóteses, discutir e defender suas próprias ideias. Nesse caso, se há uma verdade prevalecente no texto, o valor educacional fica comprometido.
No próximo post, vou abordar alguns mitos e verdades sobre a redação de bons estudos de caso, segundo o método de caso.