Como preparar as empresas para desafios que ainda não existem?

A chave é preparar os colaboradores para a fluência digital, a adaptabilidade, o aprender a aprender e para serem resilientes.

É muito comum, atualmente, nos depararmos com conteúdos que nos falam sobre como novos negócios suplantaram antigos. Como o Airbnb está mudando o mercado de hotelaria, o Uber mudando o de transporte urbano, o Facebook o de mídia, e por aí vai.

No entanto, muito pouco se discute sobre o que esses negócios, hoje ameaçados ou mesmos extintos, poderiam ter feito para evitar serem esmagados do dia para a noite. É relativamente mais fácil estudar o erro depois dele consumado, claro, e nós provavelmente conheceremos poucos casos de empresas tradicionais em seus mercados que conseguiram se reinventar antes de serem pressionados pelas emergentes digitais.

No entanto, segundo artigo da HRDIVE (que você pode ler na íntegra aqui), há quatro habilidades para as quais os colaboradores de uma organização (pequena, média ou grande) precisam ser capacitados para que possam enfrentar desafios que ainda não sabemos exatamente quais são.

Adaptabilidade

Precisamos ensinar aos futuros colaboradores a arte de se adaptar rapidamente. E esse é um grande desafio para a educação formal e para a educação corporativa, que são focadas em ajudar as pessoas a resolver problemas já conhecidos.

Programas que pretendem ajudar as pessoas a desenvolver essa habilidade precisam ajudá-las a fazer boas perguntas e não dar a elas respostas prontas. Na prática, a “adaptabilidade” tem a ver com resolver problemas, com questionar e ouvir, habilidades essas fundamentais para a construção de novos conhecimentos. O que nos leva à segunda habilidade.

Aprender a aprender

Talvez o mais correto nesse caso seja chamar essa habilidade de “desaprender”. Desaprender significa estar apto a abrir mão de crenças e verdades já consolidadas e estar aberto aos novos conhecimentos para se enfrentar novos desafios.

Assim como a primeira habilidade, não estamos tratando de nada realmente novo. Especialistas em educação corporativa, como Jeanne Meister em 1999, já traziam o Aprender a Aprender como centro das propostas de modelo de educação.

Mas a verdade é que há muitos outros paradigmas que precisam cair para isso acontecer. Foi-se o tempo em que na vida das pessoas havia a distinção entre o momento de estudar (juventude) e o de trabalhar (vida adulta). E como o processo de aprendizagem exige investimento e esforço é difícil para muitos abrir mão de conhecimentos que lhes foram tão caros. O que nos leva à terceira habilidade.

Resiliência

O Artigo da HRDIVE cita um estudo que mostra que dois em cada três funcionários relatam o trabalho como uma fonte significativa de estresse, e que nessas condições, tais colaboradores teriam muito mais dificuldade em se adaptar ou mesmo de abrir mão de uma zona de conforto para buscar aprender novas habilidades.

Resiliência, no entanto, não é exatamente uma habilidade fácil de se desenvolver (há quem diga que nem pode ser tratada como uma habilidade, mas sim uma característica). Mas a resposta para isso pode estar justamente em métodos não tão novos de aprendizagem, como a Aprendizagem Baseada em Projetos, Problemas ou Casos. Nesse artigo, eu tratei dos benefícios do método de caso na educação.

Fluencia_digital

Fluência na linguagem (digital).

Achei esse conceito particularmente interessante, pois trata a proficiência das pessoas com o mundo digital como um idioma. Obviamente, quando estamos num país estrangeiro, quanto mais conhecemos a língua local, mais e melhor conseguimos entender a cultura e se integrar ao local.

Neste caso, o “digital” é tratado como o idioma do mundo dos negócios. E não estamos nos referindo ao futuro, já é real. Os colaborados mais fluentes nesta língua certamente estarão mais confortáveis para lidar com os desafios do futuro. O artigo ainda reforça que, assim como se ensina Latim para que se entendam as raízes de outros idiomas, a fluência digital será necessária para entendermos as raízes de tudo o que faremos.

Artigo Completo da HRDIVE: https://www.hrdive.com/news/how-to-train-employees-for-jobs-that-dont-exist-yet/515598/

Como mensurar o engajamento em cursos online

Um olhar mais completo para o engajamento em cursos online pode revelar insights importantes para melhorias nas iniciativas educacionais.

O indicador Engajamento muitas vezes é mensurado simplesmente por meio da comparação entre a quantidade de alunos que iniciou um curso e com a quantidade de alunos que finalizou esse treinamento. Está errado? Não, conceitualmente é isso mesmo. Mas podemos ter um olhar mais completo e pensar no engajamento como “o quanto o aluno se envolveu com determinada iniciativa educacional”. E isso nos exige uma visão mais completa do que simplesmente quantos alunos chegaram, ou não, à linha de chegada.

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Os quatro níveis para avaliação de engajamento em cursos online

Para avaliar o engajamento em cursos online, pense então em quatro níveis:

  • Conclusão – que é exatamente essa descrição que eu dei inicialmente. Quantos alunos, dos que iniciaram, terminaram o curso.
  • Profundidade – que avalia o quanto o aluno se interessou em se aprofundar naquele conhecimento.
  • Repetição – que avalia o quanto o aluno voltou a determinado tema para rever um conteúdo.
  • Desempenho – que avalia qual foi o desempenho do aluno nas avaliações e exercícios do próprio curso.

Cada um dos níveis permite aprofundar o que sabemos sobre o quanto o aluno está de fato se envolvendo. Mas para termos bons insights sobre como nossas iniciativas podem vir a favorecer o engajamento, precisamos entender um pouco mais cada um dos níveis:

Conclusão.

Quando avaliamos o nível Conclusão temos três fatores. O primeiro é a perda da motivação. Motivação é palavra-chave quando a gente avalia engajamento e, sem dúvida é um dos grandes desafios a serem vencidos na educação a distância. A motivação é uma chama que precisa sempre ser abastecida. Isso vale para as motivações internas, como o desejo de vencer um desafio de alcançar novos padrões de desempenho, e para as externas, normalmente recompensas possíveis a partir da realização e aprovação num curso. Por isso, comunique sempre que possível a relevância do curso para a organização e para o indivíduo.

O sentimento de isolamento e a frustração da expectativa que o aluno tinha em relação ao curso são os fatores mais comuns para a perda de motivação dos alunos.

O segundo fator é o que eu chamo de “Barreiras Instrucionais”. Essas barreiras tornam-se concretas quando há falhas no processo de desenho instrucional de um curso. Ou seja, quando o conteúdo é mal trabalhado, ou ruim, e o curso se torna incompreensível, com linguagem inadequada para o público.

Neste post, eu falo mais sobre “O desafio de colocar aprendizados em prática

Outras barreiras instrucionais comuns são erros no ajuste do nível de dificuldade inicial do curso, ou seja, um curso demasiadamente básico ou avançado para o público, e ainda, falhas em usabilidade.

E por fim, como terceiro fator está o “Adequação da Solução Educacional”. Esse é o ponto mais abordado pelo mercado de educação corporativa para tratar do tema do engajamento em cursos online. Novas metodologias, e outras não tão novas, são cotidianamente alardeadas pela indústria da educação a distância como “a solução” para a falta de engajamento.

A dica aqui é: não se deixe levar pelas novidades apenas porque são novidades. Ao avaliar estratégias mais sofisticadas entenda também quais são os ônus dessas estratégias e certifique-se de que elas serão realmente utilizadas para facilitar e fortalecer o aprendizado. Muitas dessas metodologias acabam se tornando um pedágio, ou prologando de forma desnecessária o caminho da aprendizagem.

Profundidade.

O primeiro passo para que você possa avaliar o fator Profundidade é que você tenha planejado o curso com uma estratificação do conteúdo, considerando a hierarquia entre conteúdos fundamentais, complementares e de apoio, por exemplo. Se o curso é simplesmente linear, será difícil avaliar alguma coisa em relação à profundidade.

A profundidade também pode ser avaliada pelo maior ou menor detalhamento do conteúdo procurado pelo aluno, ou ainda pelo grau de complexidade no qual aluno se dispôs a mergulhar voluntariamente.

Para estimular que o aluno se aprofunde nas diversas camadas de conteúdo uma dica é sempre comunicar o que ele vai encontrar no nível mais profundo e como essa nova camada vai trazer benefícios para ele.

Repetição.

Quando avaliamos a repetição é importante diferenciarmos os motivos que levam alguém a voltar repetidamente a um conteúdo. Basicamente, são três os motivos:

1) dificuldade em entender o conteúdo;

2) o conteúdo está sendo utilizado como conteúdo de apoio ao desempenho; e

3) a repetição se dá pela necessidade de o aluno revisitar o conceito.

O primeiro caso estará indicando claramente um problema no curso. Os outros dois casos são positivos. Significam que o conteúdo faz tanto sentido ou se conecta tanto com o dia a dia do aluno que ele volta sempre que vai executar uma determinada tarefa (conteúdo de apoio ao desempenho), ou quando ele pretende dar novos passos naquela área do conhecimento (revisitar conceitos).

A dica aqui é: planeje o seu curso ou conteúdo para que ele seja útil para o seu aluno. Se o conteúdo tem a possibilidade de ajudar na execução de uma tarefa ou procedimento, como um check-list ou um passo a passo, tente criar versõespara viagem”, ou seja, para o seu aluno baixar e ter com ele na hora certa, com o mínimo esforço.

Desempenho.

E, enfim, chegamos ao quarto nível: Desempenho. Como o aluno se saiu nos exercícios propostos ao longo do curso e como ele se saiu na avaliação de conhecimento do curso? Como os alunos avaliaram o curso?

Há muitos críticos que não entendem que a avaliação de conhecimento possa dar indícios sobre o engajamento do aluno. Como já deu para notar, eu discordo. O ponto é que construir avaliações é uma verdadeira ciência à parte, muitas vezes ignorada no processo de desenho de um curso. Então se na avaliação de um curso você tem perguntas com respostas óbvias, que repetem exatamente os textos e exemplos do curso, ou servem meramente para avaliar se o aluno é bom em “decorar”, com certeza ela não será útil em nenhum processo de avaliação. Muito menos na avaliação do engajamento em cursos online. Mas eu acredito que uma avaliação bem construída possa nos dar indícios de que nível de envolvimento o aluno teve com o conteúdo ao longo do curso.

Avalie sempre

Como é possível perceber, o segredo para um bom nível de engajamento em cursos online está na concepção e planejamento do curso. Mesmo para fazer uma boa avaliação é necessário que os recursos do curso, a plataforma etc, tenham sido pensados e aplicados de maneira a dar indícios sobre os pontos que se deseja avaliar.

Lembre-se de que, se motivação é palavra-chave para o engajamento, garantir que o curso tenha relevância e que essa relevância seja bem comunicada ao público-alvo é fundamental.

Nesse outro post, eu falo sobre a necessidade de comunicar bem a relevância e agir proativamente para se atingir um bom engajamento em cursos online.